Acne: parte I


Já falamos em um post aqui no blog sobre a história da acne e seu tratamento ao longo dos séculos (clique aqui pra conferir). 
Hoje damos continuidade à série de posts sobre acne, com o básico que devemos saber e em posts futuros vamos nos aprofundando no tema, até chegar no tratamento estético.

Se é a sua primeira visita aqui ao blog, recomendo iniciar a leitura do nosso post sobre 'Sistema Tegumentar - Pele e seus anexos' clicando aqui!

Imagem: reprodução.
A acne vulgar é uma doença crônica, multifatorial e inflamatória da unidade pilossebácea. Em geral, surge na puberdade, em ambos os sexos, correspondendo, nessa faixa etária, cerca de 80% da queixa dermatológica nos consultórios médicos e estéticos.

Estima-se uma prevalência de 8% em adultos entre 24 e 34 anos, e na idade de 35 a 44 anos essa porcentagem diminui para 3%.


Vários fatores podem causar a acne vulgar. Há a tendência hereditária, transmitida pelos genes autossômicos dominantes, que podem determinar o tamanho da glândula sebácea, a queratinização anômala folicular e suas atividades.
A patogênese se baseia em quatro pontos fundamentais, relacionados entre si:
  • Hiperplasia sebácea com hiperseborreia;
  • Hipercornificação ductal folicular;
  • Alterações da flora microbiana da pele, com colonização do Propionibacterium acnes;
  • Surgimento de mediadores inflamatórios ao redor da derme e no folículo.
Existem evidências clínicas e histológicas que apontam o comedão como a lesão fundamental da acne e que está associado à hiperqueratinização folicular e à presença de anticorpos específicos a Propionibacterium Acnes. A diminuição dos grânulos que revestem a membrana celular está relacionada, na fase inicial, com a queratinização folicular alterada e consequente à formação do comedão. 
 A produção de sebo (que é uma proteção da pele) depende da ação dos andrógenos no nível da unidade pilossebácea. Esses folículos apresentam uma glândula sebácea hipertrofiada e um pelo fino rudimentar.
O sebo é composto por colesterol, cera, ésteres, esteroides, esqualeno e triglicérides. O sebo pode penetrar as camadas superiores do estrato córneo, diminuindo a permeabilidade da água e aumentando a resistência a ácidos, álcalis e contaminantes biológicos.


O aumento da produção de sebo leva à proliferação do Propionibacterium acnes, que hidrolisa os triglicérides do sebo, liberando ácidos graxos livres que irritam a parede do folículo, estimulando a hiperqueratose. O processo continua, gerando uma pressão dentro do folículo, que se rompe, liberando ácidos graxos livres e microrganismos na derme, dando início ao processo inflamatório.






COMEDÃO ABERTO
É vulgarmente conhecido como "cravo preto", é composto por sebo. Sua tonalidade é escurecida porque o óstio (poro) onde ele está localizado, possui uma abertura onde o mesmo tem contato direto com o meio externo, sofrendo oxidação pelo oxigênio. 

COMEDÃO FECHADO

Vulgarmente conhecido como "cravo branco", também... é composto por sebo, mas não possui contato com o meio externo, já que seu óstio está fechado, e por isso sua tonalidade mais clara. 


Diferenças entre comedão aberto e comedão fechado.



Na imagem acima temos exemplo de dois comedões (fechado e aberto) no microscópio com aumento de 1.000X : o da parte superior era um comedão aberto, e o da parte inferior era um comedão fechado.
Podemos observar claramente a diferença de tonalidade de ambos, o fechado é mais claro por não ter contato com o exterior e o aberto é escurecido pela oxidação em contato com o meio externo.


Nessa imagem acima podemos observar dois comedões fechados, porém um claro e um amarelado. Geralmente isso se deve pelo tempo que estão na pele, sendo o mais claro recente e o amarelado já é mais antigo.
Uma coisa que muitos alunos me perguntam é sobre esse formato de "cobrinha" que o comedão possui. Isso acontece por sua consistência ser menos rígida, aparentando uma 'massinha' e o orifício pelo qual é extraído é muito pequeno.

Por falar em textura, podemos observar nessa imagem a diferença entre o comedão fechado e aberto. Esse da imagem é um comedão aberto, oxidado e podemos notar que é mais rígido.


PÁPULA
É popularmente conhecida como "espinha interna" (quem nunca ouviu isso?!), aquela lesão que incha, fica avermelhada, dolorida, mas ao ser manipulada, não expele nada. Isso acontece porque nosso organismo está combatendo o corpo estranho ali presente (sebo, bactérias) e muitas vezes consegue absorver esse conteúdo, desaparecendo dentro de alguns dias, ou então evoluindo para uma pústula. 


PÚSTULA
Já é mais popular, conhecida como "espinha". Possui a presença de sebo, bactérias e pus. É um processo inflamatório da nossa pele para a expulsão do material contido ali. Sendo manipulado da maneira correta, por um profissional, não deixa marcas no rosto e pode ser tratado com recursos secativos. 

Formação pústula.

CISTO/NÓDULO
Deve ser tratado apenas por um médico dermatologista, por se tratar de uma lesão mais profunda e séria, podendo trazer graves consequências se manipulado.





CLASSIFICAÇÃO DA ACNE:



Presença apenas de comedões (cravos), sem lesões inflamatórias (espinhas);


É uma doença do aparelho pilossebáceo que afeta principalmente a face e tronco superior. Acne grau II apresenta-se com comedões inflamados que se transformam em pápulas e pústulas;

Forma de acne, com comedões, pápulas, nódulos endurecidos dolorosos e pústulas com crostas;




Forma severa de acne encontrada principalmente em pacientes do sexo masculino, com comedões, pápulas, pústulas, nódulos, cistos e seios de drenagem com múltiplos canais. Cicatriz e formação de quelóide são seqüelas freqüentes. As lesões geralmente ocorrem na face, pescoço, tronco e membros superiores;


Acne fulminante é forma ulcerativa rara de acne que afeta mais comumente adolescentes do sexo masculino. Início agudo associado com sintomas sistêmicos como febre, perda de peso, artralgia, mialgia, eritema nodoso e hepatosplenomegalia podem ocorrer.

Outra dúvida muito recorrente é: até que grau um profissional da área de estética pode atuar?
Eu sempre digo que tudo na estética tem que ser com bom senso. Nós atuamos no grau I e II e no caso do grau III podemos trabalhar em parceria com um médico dermatologista, auxiliando em seu tratamento. Grau IV e V, apenas médico dermatologista.

No próximo post, vamos falar de outros tipos e classificações de acne. Para não perder as atualizações do blog, assine nosso feed na lateral direita aqui do blog, e receba por e-mail! ;)

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