Microagulhamento


Mesmo não sendo mais novidade, a técnica de microagulhamento ainda envolve muitas dúvidas e curiosidades pelos profissionais e pacientes. Este foi um dos posts mais pedidos. Demorei a escrever porque queria trazer um material bem completo pra vocês.

Por se tratar de um assunto mais complexo e que envolve vários tipos de protocolos e utilizações, com certeza teremos outras postagens.

A técnica de microagulhamento é conhecida também como indução de colágeno, indução percutânea de colágeno e roller.

Existem diversos tipos de equipamento de microagulhamento no mercado, mas basicamente é um rolo de polietileno encravado por agulhas de aço inoxidável e estéreis, alinhadas simetricamente em fileiras.

Cada empresa possui um equipamento com um número de agulhas diferentes, variando desde 190 até 540. O comprimento das agulhas varia de 0,2mm até 3mm, também variando de empresa para empresa.


ORIGEM DA TÉCNICA


ORENTREICH E ORENTREICH (1995) foram os primeiros a descrever o termo "subcisão" como o meio de estimular o tecido conectivo sob cicatrizes e rugas retraídas.
Imagem: exemplo de subcisão.


CAMIRAND e DOUCER (1997) descreveram a utilização de agulhas de “pistola de tatuagem” para promover uma abrasão com agulha e tratar cicatrizes. Nessa técnica os furos eram muito próximos e rasos, o que torna o método pouco útil na prática.

Para tratarmos alterações como fibrose mais profunda, como as cicatrizes de acne e estrias, precisaríamos atingir níveis mais profundos, como a derme reticular, para produzir resultados desejáveis. Nesse intuito, Desmond Fernandes, desenvolveu um aparelho especial , constituído por microagulhas dispostas em intervalos regulares em um cilindro rolante. Surgia o primeiro aparelho de roller.



Foto: exemplo de aparelho de roller.

FERNANDES (2006) descreve a técnica atual com o objetivo de gerar múltiplas micropunturas, longas o suficiente para atingir a derme e desencadear, com o sangramento, estímulo inflamatório que resultaria na produção de colágeno.

O microagulhamento recupera a pele envelhecida ao estimular a produção natural de colágeno, de maneira semelhante as técnicas de resurfacing, e não há praticamente nenhum efeito colateral, aumentando a espessura da pele em 8%, tornando-o a verdadeira solução antienvelhecimento da pele da próxima geração (FERNANDES, 2008).

Além disso, as microagulhas estimulam uma cicatrização natural da derme que induzem a produção natural de colágeno para maximizar as habilidades de recuperação das células da pele ao reduzir rugas, cicatrizes e pigmentação, além de melhoras a firmeza e o tom da pele (FERNANDES, 2008).

Os discos agulhados criam um dano mínimo à derme sem a remoção da epiderme saudável, o que acontece com a aplicação de outras técnicas. Pelo fato da epiderme ficar intacta, o período de cicatrização é rápido. Então mais colágeno pode ser produzido naturalmente (AUST, 2008). 
 

Todas as técnicas acima descritas tiveram algum grau de melhora e acreditava-se que isso ocorria porque as agulhas produziam um processo inflamatório, rompendo fibras de colágeno, que levaria a um mecanismo de reparo fisiológico, resultando a produção de colágeno novo.

Recentemente surgiu uma nova hipótese para explicar o mecanismo de ação do microagulhamento. Quando aplicado corretamente, com aparelho de qualidade, as agulhas finas não provocam um ferimento, no sentido clássico da palavra.

O processo de cicatrização é abreviado, pois o mecanismo de reparação é alterado.
 

De acordo com essa hipótese, a bioeletricidade (conhecida também como "corrente de demarcação") desencadeia uma cascata de fatores de crescimento, que estimula a cicatrização de modo otimizado (conversaremos sobre essa hipótese de bioeletricidade em um outro post).

CICATRIZAÇÃO:

Uma ferida comum pode ser definida como uma interrupção da integridade da pele. Feridas causadas por traumas ou cirurgias, seguem etapas biológicas da cicatrização: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelamento.

Dependendo da profundidade e do tipo da ferida, a fase inflamatória inicia após a lesão, e pode durar uma média de 7 a 14 dias. Juntamente com a fase inflamatória, ou logo após dela, ocorre a estimulação à proliferação celular, seguida pela fase de remodelamento (essa pode durar um ano ou mais). O final da cicatrização é representado por um tecido cicatricial, uma conformação de fibras de colágeno com ligações cruzadas.

No caso do microagulhamento esse processo é diferente, já que o processo de cicatrização é muito mais rápido, com fases encurtadas e ao final não gera um tecido cicatricial fibrosado.
 


INDICAÇÕES:

Essa técnica é indicada para:
· Rejuvenescimento;
· Rugas e linhas de expressão;
· Cicatrizes de acne;
· Cicatrizes;
· Estrias;
· Tratamento de manchas;
· Drug Delivery;
· Alopécia.


BENEFÍCIOS:


· Estimula a produção de colágeno;
· Não remove a pele, diminuindo o risco de fotodano;
· Excelente custo benefício;
· Resultados em diversas alterações estéticas;
· Atendimentos domiciliares (fácil transporte);
· Técnica comprovada por artigos científicos;
· Segura em todo tipo de pele.

DESVANTAGENS:

· Necessidade de habilidade técnica para aplicação;
· Equipamento de uso único (descartável);
· Necessário conhecimento de cosmetologia para ampliar os resultados;
· Necessário anestesia tópica com agulhas maiores que 1,0mm e injetáveis acima de 2,0.


CONTRAINDICAÇÕES:

· Quelóide;
· Diabetes;
· Doença neuromuscular;
· Hemorragia;
· Doenças vasculares;
· Câncer de pele;
· Alergia ao metal;
· Verrugas;
· Ceratose solar;
· Pele sensível;
· Gravidez;
· Acne aguda;
· Herpes ativa;
· Uso de isotretinoína (Roacutan) no último semestre;
· Rosácea ativa;
· Pele com queimadura solar.


EFEITO


Após a aplicação da técnica, a pele passa por três processos:

1. Inflamação: após o estímulo mecânico há a reprodução das células da pele;

2. Proliferação: as células da pele se multiplicam;

3. Remodelamento: o tecido é reestruturado e as células mortas eliminadas, deixando a pele mais resistente e com uma aparência mais uniforme.

Por meio deste procedimento, a quantidade de colágeno pode dobrar e o efeito pode, ainda, ser otimizado com a aplicação da vitamina C.






FATORES DE CRESCIMENTO:

Os fatores de crescimento são proteínas de pequeno porte, capazes de se ligar aos receptores da membrana para ativar ou inibir as funções celulares. Atuam no processo de reparo e regeneração.

Esses fatores são responsáveis por:

· Iniciar o processo de cicatrização (remodelação), substituindo o tecido danificado por um tecido novo;

· Estimular a produção de matriz extra celular (fibras e glicosaminoglicanas) e desta forma promover o preenchimento da epiderme, derme e hipoderme;

· Promover a angiogênese no folículo capilar (mecanismo inovador) e desta forma revitalizar e nutrir o couro cabeludo.

Fator de crescimento Epidermal – EGF:

· Atua em células da epiderme;

· Reduz e previne rugas por ativação de novas células;

· Devolve a uniformidade ao tom da pele;

· Auxilia na cicatrização.

Fator de crescimento Insulínico – IGF-1:

· Estimula a mitose celular, melhorando a aparência de linhas e rugas de expressão;

· Aumenta a produção de colágeno e elastina;

· Estimula folículos capilares a produzirem fios mais densos e fortes.

Fator de crescimento Endotelial Venoso – VEGF:

· Estimula o crescimento capilar;

· Facilita a nutrição do folículo capilar;

· Indução da angiogênese.

Fator de crescimento Fibroblástico Básico –βFGF:

· Reduz e previne linhas e rugas pela ativação de novas células da derme;

· Acelera o processo de cicatrização em feridas abertas;

· Melhora a elasticidade da pele;

· Melhora a circulação periférica.

RECOMENDAÇÕES PÓS PROCEDIMENTO

Após o procedimento, recomenda-se a utilização de diversos cosméticos, diversos ativos, fatores de crescimento, vitamina C, clareadores de pele, entre outros. O ideal é que as formulações sejam leves como gel creme, géis e séruns, tomando o cuidado de não utilizar produtos com presença de corantes fortes. Não é recomendado o uso de filtro solar logo após o procedimento, pois, pela presença das micropunturas, o protetor será absorvido para camadas mais profundas da pele, o que não é recomendado, já que se trata de um produto formulado para a superfície da pele. A pele pode apresentar-se edemaciada e com eritema após a aplicação, o que é natural.

O paciente deverá evitar : sol, piscina, sauna, animais de estimação, produtos abrasivos, maquiagem e filtro solar (este poderá ser utilizado 24hrs após a aplicação).

INTERVALOS DAS APLICAÇÕES

- Agulhas de 0.2 e 0,3mm – até 3 vezes por semana;

- Agulha 0,5mm recomenda-se um intervalo de 21 dias, tempo necessário para a remodelação do colágeno;

- Para agulhas de 2,0, 2,5 e 3,0mm, uma aplicação a cada seis meses;

O número de sessões irá depender do cosmético utilizado, do organismo individual de cada paciente e da agulha escolhida para o tratamento. 


QUAL ROLLER O PROFISSIONAL ESTETICISTA PODE UTILIZAR?

Muito se fala à respeito disso. Não existe nenhuma regra específica quanto o roller que o esteticista pode ou não utilizar. O que vai valer aqui é o bom senso do profissional.
Veja bem, à partir de rollers de 2,0 o paciente deve receber anestesia local injetável para poder tolerar a aplicação. Aplicação de anestesia injetável, é um procedimento realizado por um esteticista? Não! Então agulhas à partir de 2,0 não devem ser aplicadas, pelo conforto do paciente e não falta de capacidade do profissional.
  
 

QUAL ROLLER ESCOLHER PARA O TRATAMENTO?

A escolha do roller será de acordo com o tipo de tratamento que o profissional realizará. Conforme a tabela abaixo demonstra:


Bem, este material servirá de base para os nossos estudos em próximas publicações.
Aproveite para conferir o protocolo pré microagulhamento que eu já mostrei por aqui (clique aqui para conferir).

Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida é só deixar na caixa de comentários desse post.

Obrigada por sua visita, volte sempre! :) 
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