ACNE: História e seu tratamento ao longo dos séculos


  


Desde que fiz o post sobre limpeza de pele aqui no blog (para conferir clique aqui!), recebi vários pedidos e sugestões de leitores para que eu fizesse um material sobre acne.
Como é um assunto complexo, e portanto muito extenso, resolvi criar uma série de posts, pra não ficar uma leitura cansativa e não deixarmos escapar nenhuma informação importante, ok?!

Então vamos dar início aos nossos estudos falando um pouquinho sobre a história da acne! 

A primeira referência que temos sobre acne pode ser uma descrição de 'aku-t', encontrada nos Papiros de Ebers e em outros escritos egípcios, que era uma desordem caracterizada por "furúnculos, feridas, pústulas ou qualquer inchaço inflamado"; que na época era tratada com uma mistura de mel. É sabido que muitos faraós sofreram com a desordem da acne, inclusive foram encontrados traços de um óleo essencial usado no tratamento de cicatrizes de acne, na tumba de Tutancâmon.


Já na Grécia, a primeira menção conhecida à acne, apareceu nos escritos antigos em grego, do médico bizantino Aetius Amidenus. A palavra ‘acne’, parece ter evoluído da palavra de origem grega ‘Acme’, que significa “mancha ou marca”.
Aristóteles e Hipócrates, em 2.500 a.C., também reconheceram a doença. Os gregos antigos, conheciam a acne como ‘Tovoot’. Esta palavra estaria associada a expressão, “o primeiro crescimento da barba”, sendo portanto, associada com a puberdade. Um compilador grego do período bizantino, Paulus Aegineta, recomendava para a cura, uma mistura à base de sabão e mel.

Já na Roma antiga, a acne era tratada com banhos. As pessoas acreditavam que a pele poderia ser limpa, renovada e curada, com uma mistura de enxofre nas águas. Em 3 d.c., Cássius interpretaria que a acne, estava relacionada à um distúrbio da puberdade.

Renomados estudiosos greco-árabes descreveram essa condição dermatológica como "Busoore labaniya" em seus textos, que seria algo semelhante a "acne vulgar" nos dias de hoje.
Rabban Tabari (770-850 d.C.) apresentou uma descrição sobre as glândulas sebáceas; Sabit Bin Qurrah (836-901 d.C.) descreveu várias formulações para tratamento de pequenas erupções que acometiam o rosto; Zakariya Razi (850-923 d.C) também conhecido como Rhaze, explicou sobre o tratamento de acne do rosto; Ibn Sina (980-1037), também conhecido como Avicenna, apresentou em seu texto a etiopatogenia e a apresentação clínica da acne; Ibn Hubl (1122-1213) descreveu em seu tratado a apresentação clínica e causas da acne; e Abu Al Hassan Al Jurjani (1200) descreveu a etiologia das erupções que acometiam a superfície da pele.


No período elisabetano (período associado ao reinado da rainha Elizabeth I na Inglaterra 1558–1603 d.C.), uma pele extremamente pálida, indicaria status e portanto, as mulheres começaram a usar o famoso "ceruse veneziano", uma pasta à base de chumbo, extremamente venenosa, que conferia à mulher, uma tez branca de alabastro.
É claro que esta cobertura pesada na pele, proporcionaria um terreno fértil ao desenvolvimento de acne e problemas de pele. Muitas mulheres não retiravam essa maquiagem, e eram aplicadas camada sobre camada, o que piorava ainda mais a condição da pele. 
Foram também desenvolvidos na época maquiagens à base de mercúrio para o tratamento de espinhas, porém essa substância corroía a pele, portanto foram restaurados os tratamentos com base de enxofre dos tempos antigos. 

Ao longo dos anos, vários estudiosos discutiram sobre a doença de pele.

Daniel Sennert (1572-1637), citando os pontos de vista de Theocritus e Rhodiginus, lidava com a acne e rosácea da mesma forma. Riolanus e Jonston associaram acne à distúrbios da menstruação, em 1638 e 1648, respectivamente.

Em 1714, Daniel Turner citou que a maioria dos médicos da época consideravam o tratamento de tais condições indignas, mas depois de meio século tratando dessa doença, a prática tornou-se popular.
Sauvages seguindo as idéias de Theocritus,  Rhodiginus  e  Sennert, acreditava ser duvidosa a inclusão de rosácea na mesma categoria da acne vulgar. 

Em 1783, Plenck subdividiu a rosácea em 9 tipos e Willan (1778-1821) e Bateman (1757-1812) dividiram a acne em 3 tipos, de acordo com a produção de sebo, presença de comedões e o tipo da lesão. Eles eram da mesma opinião de que a "acne rosácea" era um quarto tipo de acne.  Explicaram também as diferenças essenciais entre acne rosácea e outros três membros do grupo: as três primeiras condições foram consideradas como lesões locais e tratadas com medicamentos tópicos, enquanto a acne rosácea foi considerado como um sintoma de distúrbios funcional do fígado e do estômago.

Nas décadas seguintes, a literatura sobre a acne tornou-se volumosa, com opiniões contrastantes, especialmente sobre o tema da classificação e nomenclatura. Havia argumentos em relação às lesões primárias da acne; se havia ou não presença de pústula ou pápulas; se condições 'pustulosas' deveriam ser caracterizadas como acne; se era necessário para qualquer lesão ter uma auréola vermelha para que pudesse ser qualificada como acne, e assim por diante. 


Em 1840, Fuchs usou o termo "acne vulgar", pela primeira vez, dividindo a acne em: acne vulgar, acne 'mentagra' (que seria a atual foliculite) e acne rosácea. E em 1842, Erasmus Wilson separou a acne vulgar da acne rosácea.
Baumes
P., em 1842,  contou com os fatores predisponentes à acne, que foram mencionados por escritores daquele período, como: modo de vida, o uso de cosméticos, afecções do trato alimentar, anomalias menstruais e supostamente
comportamento sexual anormal. No mesmo ano,
Gustav Simon apresentou seus pontos de vista de que a doença envolvia principalmente o folículo piloso e também foi dos primeiros a descobrir os "ácaros" ou 'Demodex folliculorum', que ele pensava poder ser um fator etiológico.
Os pontos de vista Gustav Simon foram posteriormente refutadas por Erasmus Wilson (1809-1884), que acreditava que a doença envolvia as glândulas sebáceas e sua produção desordenada de sebo, ou seja, a produção além da necessária pra a lubrificação da pele.
Em 1920, Jack Breitbart, da corporação Revlon, inventou o peróxido de benzoíla para o tratamento de acne. Breitbart percebeu que este produto era mais eficaz e cheirava melhor do que os tratamentos de enxofre do passado.
Por volta de 1930, os laxantes foram de uso comum para o tratamento de acne e em 1950, a tetraciclina foi prescrita pela primeira para tratamento da acne, pois foi notado que a acne era causada por bactérias
Já em 1960, foi desenvolvido o tratamento tópico da tretinoína (ácido retinóico/vitamina A) para aliviar a acne. Esse tratamento teve grandes resultados e ainda está em uso nos dias atuais.
Plewig e Kligman em 1975 discordaram das recomendações de enxofre em produtos, pela da FDA. Eles acreditavam que isso poderia agravar ao invés de ajudar a acne.
Em 1980, surgiu nos mercados da américa a isotretinoína (Roacutan), que foi extremamente eficaz na acne, mas com efeitos colaterais graves, como: acidente vascular cerebral (AVC), convulsões, ataque cardíaco e perda de cabelo. Na época foi recomendado para as pacientes mulheres, o uso de anticoncepcionais por até 6 meses após a interrupção do tratamento com a isotretinoína. 


Em 1990 foi inserido o tratamento de acne com terapia a laser, e posteriormente inserido no tratamento de cicatrizes de acne também. Para facilitar o tratamento com laser, foi inserida a associação de fototerapia com luzes azul/vermelho , nos anos 2000.

Não muito tempo depois, surgiu o microagulhamento, como tratamento para cicatrizes de acne. Orentreich primeiro descreveu a subcisão ou agulhamento dérmico em 1995 para cicatrizes e mais recentemente, Fernandes, em 2006, desenvolveu a terapia de indução do colágeno percutânea com o uso de roller.
Uma vacina contra acne inflamatória foi desenvolvida e testada com sucesso em ratinhos, em 2007, mas não foi eficaz em humanos, já que causava alterações na flora bacteriana da pele.
Podemos concluir que a acne é uma preocupação desde os primórdios e que seus tratamentos estão em constante atualização. Claro que por enquanto falamos a respeito de métodos de tratamento atuais muito superficialmente, mas garanto que teremos um texto dedicado apenas para os tratamentos estéticos. ;) 
No próximo post vamos estudar um pouco mais a respeito da acne vulgar e sua classificação! Para não perder as atualizações da nossa série, assine o feed do nosso blog na coluna da lateral direita aqui da página  ->  

Espero que tenha gostado.
Obrigada pela visita, volte sempre!:)

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